Álvaro Lapa surge na década de 1960 com uma obra que se enquadra na Nova Figuração portuguesa. Quase sempre narrativa, mas não ilustrativa, a sua obra pictórica caracteriza-se pelo desenvolvimento de séries, com possíveis variações que se constroem ao longo do tempo, sendo indissociável da existência de referências artísticas, por exemplo de Robert Motherwell, e literárias, de Arthur Rimbaud, Jack Kerouac, William Burroughs, Céline, entre outros. Como em muitas obras de Álvaro Lapa, nesta composição, salientam-se as cores escuras, em que predomina o negro, mas também os buracos, os vazios, e a adoção de uma linguagem de grande simplicidade e economia de meios, sempre enigmática. Artista e escritor, Álvaro Lapa foi professor de Estética na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. [Sandra Vieira Jürgens]