Interrogando as relações entre a prática artística e as estratégias institucionais e sociopolíticas que a configuram, a obra de Miguel Leal, afirmada sobretudo a partir da década de 1990, parece situar-se nas fronteiras da tradição da arte conceptual, algumas formas da crítica institucional e dos suportes/processos tecnológicos. É sobre a natureza das imagens projetadas que nos fala Caleidoscópio (pedras, cavernas e figuras). Rematerializadas em suportes analógicos e digitais, e novamente convertidas em diapositivos, a obra configura uma extensa série de imagens, com múltiplas origens e naturezas físicas que o artista foi produzindo entre 2010-2018. Evocando a transformação da matéria, o tempo, a história do mundo e das imagens, é a desnaturalização formal que inviabiliza toda a possibilidade de uma narrativa linear. Nesta obra, tal como em cada exposição que a mesma se apresenta, a diferença pode ser encontrada na repetição. [CAAC 2020]