Tiago Baptista desenvolve a sua prática artística no campo da pintura. As suas composições apresentam e questionam temas da figuração, equacionados nas relações com a abstração e outros movimentos da história de arte. Neste processo, sucede um jogo que põe a nu os artifícios utilizados na representação mimética, recuperando alguns métodos do surrealismo, na associação de imagens de contextos e escalas totalmente opostos e na forma como elas dialogam, constituindo narrativas inesperadas. Existe uma qualidade ilustrativa na qual transparece uma familiaridade, como se as pinturas tivessem, algures, um referente narrativo verbal. Funcionam, frequentemente, como parábolas visuais. Algumas apresentam reminiscências de cenas de Max Beckman ou mesmo de um neorrealismo aplicado a um mundo contemporâneo, onde se perdeu o sentido de uma ideologia. Noutros casos, podemos também falar de uma reinvenção do chamado “Realismo Mágico”. Esta pintura, em concreto, apresenta uma figura humana, cujo movimento parece travado num instante de pose de modelo nu. Como um gigante, a figura atravessa uma faixa, onde se pinta uma cidade num material marmóreo, para pisar um terreno desértico. A tela apresenta ainda uma superfície representando o céu que pertence a outro modo de fazer pictórico, com a sua pincelada larga e informal. Joga-se, em simultâneo, com a desconstrução de uma lógica realista e com a coexistência de diferentes tipos de pintura. A vara que flutua do lado direito, aparentemente sem nexo, equilibra a composição sem qualquer pretexto narrativo. [CAAC 2020]
Exposições individuais
2018: Atrás do pensamento, 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
2023: DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu do Côa e Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Foz Côa, Portugal
2023: Una Casa, Teatro del Mundo: Obras de la Colección de Arte Contemporáneo del Estado Portugués, Residência Oficial do Embaixador de Portugal em Espanha, Madrid, Espanha
Bibliografia
Sara & André, Manuel João Vieira, «Sentimento Safari» in DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2023, cit. p 17, rep. p. 26, 31, 35, 59.