Kiluanji Kia Henda é um artista cuja prática interroga a história, a política e o impacto do colonialismo tanto em Angola, o seu país de origem, como na Europa e especificamente em Portugal, tecendo factos e ficção e usando o humor como estratégia criativa. A obra escolhida, In the Days of a Dark Safari #1, como em muitos dos seus projetos, combina pesquisa histórica com fotografia artística. A obra parte de uma exposição com o mesmo título na Cidade do Cabo na África do Sul. Nesta exposição, o artista abordou a problemática de uma conceção pós-colonial na qual o mundo natural africano é entendido como um paraíso perdido. A exposição apresentava fotografias de duas séries In the Days of a Dark Safari e The Last Journey of the Dictator Mussunda N’Zombo Before the Great Extinction (in 5 acts), além de um filme intitulado Havemos de Voltar. A prática da exploração colonialista e a coleta tanto de artefactos como de fauna e flora do continente africano, sob a pretensão da preservação museológica europeia, são, na obra escolhida, postas em xeque. Nas palavras de Kiluanji Kia Henda, “o esforço para criar um Museu de História Natural é um processo semelhante à criação de narrativas hostis da perspetiva do estrangeiro que coloniza mantendo distância, remetendo um continente inteiro a um Lugar das Trevas.” [Carla Cruz]
Exposições individuais
2017: Days of a Dark Safari, Goodman Gallery. Cidade do Cabo, África do Sul
Exposições coletivas
2019: Acts of Reading, Goodman Gallery, Cidade do Cabo, África do Sul
2020: Chine Afrique – Crossing the world color line, Centre George Pompidou, Paris, França
2023: DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu do Côa e Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Foz Côa, Portugal
Bibliografia
Sara & André, Manuel João Vieira, «Sentimento Safari» in DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2023, cit. p. 15-16, rep. p. 25, 32, 47.