O trabalho pictórico de Rui Macedo remete, de modo quase inequívoco, para uma aptidão do real, ao realizar uma pintura que o mimetiza apenas na medida em que com ele possa ser confundido ou reinterpretado, participando assim, deliberadamente, de uma fusão partilhada e site-specifc. O artista realiza, também nesta obra, uma aproximação radical entre o real e a sua ilusão pictórica, desenvolvendo um jogo extraordinário entre a pintura e o espaço arquitetónico onde esta se afirma e dissimula. Mas mesmo neste contexto, e partindo sempre da similitude pictórica do real, bem como do exercício das suas micro ou peculiares diferenciações críticas, Rui Macedo investe desde há muito na reinscrição da pintura enquanto efeito de aproximação tangível entre o olhar, o cérebro e o tato, reacendendo, assim, de modo inesperado, mas ativo, o lugar, o estatuto da mimesis na prática artística contemporânea. [David Santos]