Através da realização de ações realizadas na paisagem, Alberto Carneiro manifestou, desde a década de sessenta, uma atenção à natureza e ao carácter processual e performativo da criação artística. A floresta (1978), integra um conjunto de obras, que resultam dessas intervenções no espaço natural e que posteriormente são apresentadas em espaços de exposição por intermédio de registos documentais, nomeadamente fotografias que asseguram a memória da sua ação, e em muitas ocasiões outros materiais, como desenhos, textos e diagramas. Neles incluem-se dados objetivos acerca das diferentes fases do percurso, anotações do tempo despendido na sua realização, e apontamentos vários que também permitem ao espectador enquadrar ou até reconstituir mentalmente a sua experiência. Trata-se invariavelmente de elementos que integram uma etapa que é parte do próprio processo artístico, mas que existem apenas enquanto referência a uma atividade que ocorre noutro lugar e noutro tempo. E cuja definição é por natureza efémera e do domínio do vivido. [Sandra Vieira Jürgens]