artista
Paula Rego
biografia
Lisboa, Portugal, 1935 - Londres, Inglaterra, 2022
título
O Impostor, 1964
obra
O Impostor
inventário
SC 1829
proprietário
CACE - Coleção de Arte Contemporânea do Estado, em comodato no MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém
categoria
Pintura
técnica
Técnica mista e óleo sobre tela
dimensões
179 x 158 x 6 cm
incorporação
Aquisição em 2022
descrição

Paula Rego teve uma importância incontornável para a arte internacional e portuguesa. Construiu um percurso exemplar nas artes plásticas, pela qualidade e profícua produção que desenvolveu desde a segunda metade do século XX, tornando-se uma das referências mais consistentes da arte moderna e contemporânea.
Intitulada O Impostor, esta pintura a óleo e técnica mista sobre tela, datada de 1964, é representativa do período inicial da atividade da artista, que vai do final da década de 1950 a 1965, fase que corresponde ao desenvolvimento da sua identidade artística e plástica bem como temática. Caracterizada pelo desenvolvimento de formas de criação livres e espontâneas em que apresenta narrativas fragmentadas, povoadas por figuras, recortadas e recompostas, nela, com recurso a diferentes técnicas, a colagem e o recorte, Paula Rego realiza composições dinâmicas entre a pintura e o desenho, construindo uma imagem de valores contrapostos, entre a figuração e a abstração.
Obra de excepcional qualidade plástica, destaca-se igualmente o fundo ético e político que a justifica. Direcionando preferencialmente as suas investigações artísticas para temas e reflexões de âmbito político e social, esta obra testemunha o pensamento crítico e a dimensão satírica que sempre acompanhou o trabalho de Paula Rego, possuindo um vitalismo contestatário que nesta fase tem por referência o exercício ditatorial e abusivo do poder de António Salazar. Na tela surge o registo de uma data, 1928, e nela a artista retrata satiricamente a figura ditatorial e todas as marcas representativas do peso da realidade opressiva, da monstruosidade, da agressividade e dos excessos autoritários e políticos associados à história do regime do Estado Novo.
Se esta obra exemplifica o teor crítico e irónico dos trabalhos que Paula Rego produziu sobre a realidade portuguesa durante a vida política de António de Oliveira Salazar, ela é também significativa por pertencer ao conjunto de obras exibidas na primeira exposição individual em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas Artes. Esta peça, a par de outras obras plasticamente muito ricas aí mostradas publicamente, como Cães de Barcelona (1965), evidencia bem a qualidade e expressividade plástica do trabalho de Paula Rego, e o grande alcance interventivo da sua obra para a afirmação de uma cidadania reconhecidamente interventiva, atuante, participativa e crítica na construção de uma sociedade democrática. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições individuais
1965: Paula Rego, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, Portugal
2014: 1961: Ordem e Caos, Casa das Histórias Paula Rego, Portugal
2019: Paula Rego: Obedience and Defiance, MK Gallery, Milton Keynes, Reino Unido
2019: Paula Rego, Obedience and Defiance, Scottish National Gallery of Modern Art, Edimburgo, Escócia
2020: Paula Rego, Obedience and Defiance, Irish Museum of Modern Art, Dublin, Irlanda
2022: Paula Rego: The Story of Stories, Pera Museum, Istambul, Turquia
2023: Um foco em Paula Rego, MAC/CCB, Lisboa, Portugal