Ana Silva é uma artista nascida em Calulo, Angola, na província de Kuanza Sul, que tem trabalhado com materiais de desperdício, incluindo sacos de plástico, de ráfia e restos de tecidos, num aproveitamento que aponta tanto para a economia baseada no excesso de consumo de bens efémeros, como para a exploração de recursos e pessoas em países outrora colonizados e com forte desigualdade social. Contrasta a pobreza desses materiais com bordados delicados e minuciosos sobre eles executados e com uma montagem de retalhos elaborada. No seu trabalho é frequente encontrar referência à escassez de recursos naturais e à precariedade vivida pela população angolana, quer reportando-se ao período da Guerra Civil durante o qual cresceu, quer ao presente, e focando sobretudo o quotidiano das mulheres e crianças. O seu trabalho, que tem sido exposto frequentemente em Portugal e internacionalmente, inscreve-se numa condição de fragilidade, a qual se expressa nos meios com que escolhe trabalhar e na forma como os trabalha. Um dos temas presentes na obra de Ana Silva é a geometria Sona, usada originalmente em desenhos na areia para contar histórias no nordeste de Angola. Esta obra é exemplo da referência aos padrões Sona, adicionando essa linguagem indígena a uma complexa rede de referências que ganha uma relevância particular nos vestígios escritos diretamente sobre os retalhos usados, incluindo a palavra Lisboa e números que podem remeter para quantidades ou valores. [CAAC 2022]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 14, rep. p. 36-37, 108-109.