O trabalho de Edgar Martins tem-se pautado pela exploração dos limites representacionais da fotografia e o dilema ontológico histórico da imagem, entre verdade e representação. Nos últimos anos, o seu trabalho tem-se debruçado sobre realidades complexas, desenvolvendo um questionamento sobre as (im)possibilidades da representação fotográfica, através de projetos longos de investigação e criação em temas como a morte ou a prisão. A obra Letter of Departure, pertencente à série Siloquies and Soliloquies on Death, Life and Other Interludes, integra o trabalho realizado ao longo de três anos, no Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, em Lisboa, a partir de imagens e documentos sobre mortes violentas. Entre o arquivo da instituição, as imagens realizadas pelo autor e imagens do seu acervo pessoal, foi construído um longo itinerário visual sobre a morte e o corpo morto, um dos temas coevos da invenção da fotografia. A relação entre a morte e a imagem fotográfica tem um vasto léxico semântico que, quando analisado neste contexto forense, torna possível uma nova abordagem do seu significado entre o rigor da análise médica e judicial e a natureza existencial e ficcional do tema. Edgar Martins, a exemplo de outros projetos mais recentes, como What Photography has in Common with an Empty Vase, (2016-2022) em que trabalhou o tema da prisão, tem privilegiado a reflexão ética, social e política da imagem fotográfica e questionado qual o seu papel nos modelos representacionais da realidade, sendo, por isso, um trabalho de enorme atualidade que continua a aprofundar os problemas documentais da imagem fotográfica. [CAAC 2022]
Exposições coletivas
2024: MICROPOLÍTICAS: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Arqueologia e Artes de Beja, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «Micropolíticas» in MICROPOLÍTICAS: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Maiadouro, junho de 2024, cit. p. 17, rep. p. 66-67.