artista
Rigo 23
biografia
Funchal, Portugal, 1966
título
Iperé – Cicatriz de Tordesilhas, 2017
obra
Iperé – Cicatriz de Tordesilhas
inventário
SC 1899
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado
categoria
Escultura
técnica
Tacuara, caixeta, folhas de palma, cordas, esferovite e plástico
dimensões
215 x 98 x 150 cm
incorporação
Aquisição 2022 (Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea 2021-2022)
descrição

Desde a década de 1980, Rigo tem vindo a produzir pinturas, desenhos, instalações, intervenções de arte pública, documentação fotográfica e videográfica dos seus murais e outros projetos, em campos tão diversos como a edição e o ativismo político e cultural. O âmbito dos seus interesses integra temas do mundo da arte, da política, da cultura, da história, dos direitos humanos, da música, do urbanismo, da linguagem. Sempre presentes na sua obra, estão questões relacionadas com o domínio social e comunitário da intervenção artística e, sobretudo, na defesa de comunidades indígenas. Esta peça escultórica, de feição artesanal e manual, pertence a uma série de trabalhos que o artista produziu em colaboração com a comunidade Guarani da Mata Atlântica, no sul do Estado de São Paulo, Brasil. Rigo visitou esta região pela primeira vez em 2005 e o diálogo manteve-se desde então. Idealizada com o líder Guarani Renato da Silva (Wera Mirim), esta escultura com a forma de cesto foi executada por membros da aldeia de Pindoty no ecossistema da Mata Atlântica e também com o apoio da liderança e dos elementos da aldeia do Pereirinha, também localizada na Ilha do Cardoso. As dimensões da peça foram pensadas tendo como referência o marco de pedra do Tratado de Tordesilhas colocado na Praia de Itacuruçá, na Ilha do Cardoso, em 1502, de modo a obliterar a ferida e a sugerir uma “cicatriz reunificadora do mundo Juruá dividido ao meio pelo Tratado de Tordesilhas de 1494”, segundo as palavras do artista. Como esta obra exemplifica, os seus projetos são recorrentemente o resultado de uma experiência direta, de uma disposição de abertura que se consubstancia em encontros e em relações humanas estabelecidas no processo de trabalho. [CAAC 2022]


Exposições coletivas

2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal

Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, outubro de 2024, cit. p. 11-12, rep. p. 18, 31, 33, 69.