artista
Uriel Orlow
biografia
Zurique, Suíça, 1973
título
Reading Wood (Backwards), 2022
obra
Reading Wood (Backwards)
inventário
SC 1909
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado
categoria
Instalação
técnica
Objetos de madeira, papel de parede, impressões fotográficas, som - ativação opcional. Ed. 1/5 + 2 AP
dimensões
Dimensões variáveis
incorporação
Aquisição 2022 (Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea 2021-2022)
descrição

Uriel Orlow é um artista suíço que vive em Lisboa, tendo desenvolvido trabalho específico em Portugal. A sua obra baseia-se numa pesquisa em diálogo com outras disciplinas e tem uma preparação e maturação demoradas, focando o caráter processual do trabalho em arquivo. Trabalha com filme, fotografia, instalação site-specific, desenho, som, performance, concebendo, frequentemente, instalações multimédia. A sua obra incide sobre o impacto da modernidade, da ideologia do progresso, do capitalismo e dos colonialismos (velhos e novos) nas comunidades humanas e ambientais, vistas como um todo. Mostra, num trabalho cuidado que entretece o político, o social e o ecológico, como práticas indígenas se perderam ou foram apropriadas, ou como se conseguiram preservar apesar de tudo; mostra como as práticas extrativistas levaram à alteração dos solos e das paisagens, à desertificação e à raridade ou extinção de espécies de flora e fauna. Reading Wood (Backwards) resulta de uma encomenda para a Bienal de Berlim de 2022 sob o tema Present! Still e incide sobre a Xiloteca do Palácio Calheta, localizada no antigo Jardim Colonial, em Lisboa (atual Jardim Botânico Tropical), um repositório de dez mil amostras de madeira de árvores que outrora existiram em vários locais das antigas colónias portuguesas, para perguntar «O que acontece quando a floresta se torna uma biblioteca, servindo sistemas de conhecimento e economias ocidentais de extracção?». Neste trabalho, o artista procura olhar para a desflorestação planetária em curso, como parte de um processo de longa duração com raízes no início do século XV, nomeando etapas de exploração, desde a devastação da floresta original da ilha da Madeira para o cultivo do açúcar, até às expedições botânicas em Angola, Moçambique e outros países africanos. Orlow leva-nos a refletir como de seres vivos, as árvores passaram a ser vistas como mercadoria e fonte de lucro. [CAAC 2022]