Yonamine, que nasceu no ano de Independência de Angola, tem desenvolvido um longo percurso internacional e tem mantido diálogo com as culturas dos países por onde passou e viveu, de forma mais permanente ou temporária, através de estadias em residências artísticas. A sua obra tem uma presença frequente em território nacional, onde tem realizado exposições em espaços de diferente natureza, galerísticos e institucionais. A passagem pela República Democrática do Congo, o Brasil e Portugal, e depois o regresso a Angola, em 1994, fazem também parte das suas experiências biográficas. O passado colonial de Portugal, mas também da Europa, surgem aflorados em muitos dos seus trabalhos. A obra Azul Indígena I, reflete o espírito irónico e interventivo das suas intervenções. Propondo um jogo de palavras entre «Madison» em «Mad son», nesta tela, que formalmente evidencia a importância das artes gráficas na sua obra, os símbolos do poder e domínio da cultura anglo-saxónica, sobre o «azul indígena» de fundo, e que surge enunciado no título, são marcantes, apontando as dinâmicas reais e imaginárias das formas passadas e contemporâneas de colonização alargada, cultural, económica e política. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p. 16, rep. p. 41, 42, 43, 94.