A obra artística de José Manuel Rodrigues teve um reconhecimento nacional em 1999 com a atribuição do Prémio Pessoa. A sua formação e carreira inicial decorreram nos Países Baixos, onde esteve sediado durante várias décadas. É um dos fotógrafos mais relevantes no quadro da reformulação estética da fotografia portuguesa, entre as influências conceptuais do pós 25 de Abril e uma nova abordagem onírico-documental. As duas peças da sua autoria que integram a Coleção de Arte Contemporânea do Estado representam dois momentos importantes na evolução da sua obra. Desde uma abordagem serial e ainda de influência pós-conceptual patentes na obra Sequência (1982) e a transição para uma linguagem documental poética e de exploração técnica intensa do cromatismo da fotografia a preto e branco, como é o caso da obra Sem título (2017). Nesta evoca uma paisagem povoada por corpos em descanso, que procuram a horizontalidade. Numa abordagem onírico-documental, esta fotografia caracteriza-se por um cromatismo intenso a preto e branco, da Ponta da Ferraria, na ilha de São Miguel, nos Açores, uma piscina natural onde a água termal aquece e se funde com o oceano. [CAAC 2023]