Luisa Cunha é quase uma artista do invisível, como uma obra que não depende de grandes objetos ou espetáculos visuais, mas sim da presença, do som e da linguagem, em que a palavra é quase sempre a ferramenta principal e o instrumento utilizado para criar situações de estranheza ou de profunda ironia.
Selfies #2 representa, em forma de instalação, um olhar irónico e disruptivo sobre os comportamentos sociais e a sua evolução. A repetição da palavra Selfies, inscrita sob a forma de padrão de papel de parede, convoca para uma prática narcísica própria da contemporaneidade, mas coloca o significado da fotografia de si mesmo num patamar interpretativo irónico, deslocando-o de uma afirmação única de identidade e de vaidade para um mero artefacto decorativo, padronizado, vulgarizado e reprodutível.