Em Bad liver and a broken heart, São Trindade cria fotografias onde, cada uma por si, nos surge como sendo única pela sua intensidade expressiva, o que contraria o que poderia ser a neutralização da serialidade. Mas em variações que jogam com o próprio espaço, as situações são ecos de uma mesma coisa, provavelmente fora de campo, um invisível dominante como o rosto que nunca se mostra. A capacidade compositiva é sensível ao ponto de parecer acontecer sem desígnio, sem desenho, como se nos mostrasse a crueza de uma verdade que passa por ser uma representação de verdade. E neste simulacro performativo em que somos levados a adivinhar a possibilidade de estarmos perante a própria São Trindade, este título que coloca na mesma frase “bad liver” e “broken heart” transporta-nos para um lugar onde a metáfora se transforma em coisa e a coisa em metáfora. Apresentando-se assim, São Trindade mostra-se mantendo-se ausente, no lugar onde tudo se encontra e toma forma. [CAAC 2023]