O trabalho de Susanne Themlitz revela um universo pessoal único e idiossincrático, que recorre a uma multitude de meios, como a escultura, a instalação, a pintura, o desenho e o vídeo, explorando a plasticidade de materiais como barro, bronze, gesso, madeira, cimento, vestuário, entre muitos outros. Interessada pela possibilidade de uma ambiguidade generalizada entre o humano e o animal, o natural e o cultural, Themlitz cria um universo repleto de paisagens oníricas, narrativas que, num primeiro olhar, parecem ingénuas, inofensivas ou infantis, mas que revelam, na sua profundidade, um mundo denso e complexo, que é rico na suas referências ao real e ao simbólico e habitado por criaturas híbridas, simultaneamente fantásticas e grotescas, trágicas e cómicas, um retrato da artista e um retrato de nós mesmos. A obra Modus Vivendi. Genus Mutabile / Criaturas Venatórias Anónimas, uma instalação histórica do início da carreira da artista, que foi mostrada pela primeira vez na Galeria Luís Serpa, em 2003, reforça o núcleo de trabalhos da artista na Coleção de Arte Contemporânea do Estado, cujo percurso é um dos mais surpreendentes dos artistas da sua geração. [CAAC 2023]