Performer, pintor, músico e videoasta, António Olaio nasceu em Sá da Bandeira (atual Lubango) e estudou pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Desde a década de oitenta, trabalha com influências do imaginário da Arte Pop, do Kitsch e do Surrealismo. A sua pintura, figurativa, por vezes cromaticamente densa, suscita ambiguidades semânticas e oferece apontamentos irónicos, oníricos e desconcertantes. Muitas vezes essa ironia é expressa por formas de expressão plástica, ou com recurso à palavra em construções ficcionais inesperadas, que de um modo sofisticado e eficaz colocam o espectador perante o exercício artístico do pensamento e da reflexão de maneira direta ou indireta. Esta obra constitui um excelente exemplo disso mesmo e da sua pintura mais monocromática, a preto e branco, com gradações de cinza, mais atmosférica. Partindo dos últimos versos da canção Foggy days in old Manhattan, canção que compôs em parceria com o músico João Taborda, e que deu título a uma exposição realizada em Lisboa, em 2001, nesta pintura associa a presença de motivos kitsch (como as flores) a um clima de nevoeiro e à impossibilidade de uma nitidez para aludir a expressões de abstração e estados de alma, que tanto sugerem profundidade como banalidade. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal