A obra fotográfica de Jaime Welsh estrutura-se em torno de uma cenografia e uma encenação de situações, apoiadas sob um forte rigor formal de composição, influência certamente da sua formação como pintor. O realismo fotográfico é tão estruturalmente encenado que a sua relação com o real se torna artificial, conduzindo a uma ambivalência percecional entre representação e interpretação. No caso da presente obra, o artista recorre à evocação direta da pintura, no caso a tela de género histórico, Túlia (1897) do pintor Columbano Bordalo Pinheiro, para construir uma metaficção. O caráter histórico da obra pictórica, o mito que evoca a parricida Túlia assassinando o seu pai, o sexto rei romano Sérvio Túlio e o facto desta obra de Columbano ter sido duplamente rejeitada, para a Exposição Universal de Paris em 1878 e para a bolsa de pensionato, conferem-lhe uma multiplicidade de significados que são o pano de fundo da imagem fotográfica. A jovem figura masculina adquire, pela composição geométrica centralizada, pela postura corporal alheada do quadro e do espetador, uma intenção ficcional com o tema que o enquadra, erodindo as categorias entre pintura e fotografia. O artista realiza, assim, um questionamento sobre as ambivalências do poder de representação da fotografia, tema que continua a ser pertinente e que é apresentado com grande qualidade estética e técnica. [CAAC 2024]
Exposições coletivas
2024: The Inheritors, Galerie für Gegenwartskunst, E-WERK Freiburg, Alemanha
2025: SOMBRA DUPLA: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Arte Contemporânea de Coimbra, Portugal