O trabalho fotográfico de Maria José Palla baseou-se na autorrepresentação, explorando um variado leque de soluções formais, conceptuais e técnicas. Associando quase sempre o elemento tempo às suas séries fotográficas, essa autorrepresentação adquire uma maior densidade psicológica e existencial. A fotografia é utilizada como um retrato reprodutível e transformador da artista, o que confere aspetos singulares à sua ideia de autorrepresentação. É o caso desta série de polaroids, que refletem estas questões amplificadas pelo carácter evanescente da técnica das imagens, em que não existe uma matriz de reprodução, sendo cada imagem única, frágil na sua materialidade, sujeita a muitas alterações química e físicas, expandindo assim a sua natureza de suporte para uma alegoria de transmutação da artista. [CAAC 2024]