CACE na exposição «Dance among Thorns» dedicada à obra de Paula Rego, no Munch Museum, em Oslo, até 2 de agosto

Publicado a 28 Abril 2026
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© Paula Rego Estate

A CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado está representada na exposição Dance among Thorns, dedicada à obra de Paula Rego, no Museu Munch, em Oslo. Ao longo de nove secções e de mais de 140 obras, a exposição revela a amplitude do trabalho artístico de Paula Rego e inclui duas pinturas da CACE: Corredor (1975) e A Grande Seca (1976).

Esta será a primeira grande apresentação institucional de Rego nos países nórdicos e a mais abrangente desde a sua retrospetiva na Tate Britain em 2021. Integrada nas comemorações dos 120 anos das relações diplomáticas entre Portugal e a Noruega, a mostra incluirá mais de uma centena de obras, abrangendo desde colagens abstratas iniciais até às suas famosas esculturas têxteis e panoramas figurativos.

A investigação recente sobre o trabalho de Paula Rego permitiu descobrir um detalhe fascinante da sua biografia: a influência formativa e profunda de Edvard Munch sobre o seu trabalho. A identificação clara desta influência ficou a dever-se à descoberta de uma carta de 1951, escrita por Paula Rego, com 16 anos, à sua mãe, onde relatava o impacto “eletrizante” de uma exposição de Munch na Tate Gallery. Na carta, a jovem artista descrevia obras como O Grito e Herança como sendo de uma força inimaginável, admitindo que o que Munch fazia era exatamente o que ela própria tentava alcançar. Essa admiração foi tão intensa que, em 1952, Rego insistiu em rever a mesma exposição itinerante em Paris com os seus pais. A prova visual definitiva desta influência surgiu com o achado de uma pintura inédita intitulada A Seca, pintada por Paula Rego por volta de 1952/53, após uma grave seca em Portugal. Nesta obra, Paula Rego retrata uma mulher grávida de boca aberta (ecoando o desespero de O Grito) que carrega um bebé esquelético, uma referência temática direta à obra Herança de Munch. Esta obra, que permaneceu guardada num portefólio no seu estúdio em Londres até ser descoberta pelo seu filho Nick Willing, em 2022, revela uma paleta de vermelhos e amarelos e uma técnica de pintura “áspera” que estabelecem um diálogo direto com as obras O Grito (1893) e Ansiedade (1894) de Edvard Munch.

Paula Rego manteve uma espécie de conversa silenciosa com o mestre norueguês ao longo da vida, visível em obras posteriores como A Dança (1988), cujas oito figuras a dançar ao luar ecoam a composição de A Dança da Vida (1899-1900) de Munch. Ambos os artistas partilhavam um interesse visceral pelas emoções primordiais e pelas zonas mais sombrias, ambíguas e complexas da condição humana. O trabalho de Rego, tal como o de Munch, não recua perante as dimensões mais desafiadoras da experiência humana, colocando no centro das suas composições temas como a violência, o luto, a sexualidade e a tirania, sempre através de um olhar atento às tensões e meandros da psicologia humana.

Este diálogo artístico é o coração da exposição Dance Among Thorns, que inaugurou no Munch Museet, em Oslo, a 24 de abril e permanece até 2 de agosto de 2026 no museu norueguês.


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