A obra de Ana Léon desenvolve-se entre o desenho e o cinema expandido, numa prática que combina a simplicidade de meios e a espontaneidade do gesto. O recurso à imagem em movimento surge da repetição obsessiva do desenho e da manipulação manual de bonecos articulados ou figuras modeladas em argila, numa linguagem que transita da abstração à figuração. O seu trabalho expõe a vulnerabilidade do próprio medium cinematográfico e abre espaço a múltiplas leituras, em que a suspensão narrativa são elementos centrais. Nas suas obras em suporte Super 8, realizadas através da técnica de stop motion, cada imagem é captada individualmente, compondo sequências que se completam em ambientes visuais e sonoros densos. O som, trabalhado posteriormente a partir de fragmentos musicais ou respirações distorcidas, adquire o mesmo peso expressivo da imagem, ampliando tensões psicológicas e poéticas. Na vídeo-instalação Tomber (2014), uma projeção em loop com três écrans simultâneos, Léon explora uma lógica de repetição e variação mínima, convocando o espectador para uma experiência onde som e imagem se confundem numa poética de ambiguidade, de queda e de fragmentação do corpo. [CAAC 2025]