Eugénia Mussa nasceu em Maputo, Moçambique, em plena guerra civil, onde viveu até aos cinco anos. A sua família mudou-se para Portugal em 1983. A artista já se encontrava representada na CACE com duas pinturas, sendo agora reforçada com a aquisição de três obras recentes. Eugénia Mussa desenvolve o seu trabalho no campo da pintura, privilegiando composições de pequena e média escala, que contrariam a atual tendência para o sobredimensionamento das obras. Recuperando técnicas clássicas de pintura, as suas imagens derivam de imagens fotográficas retiradas de um arquivo composto por registos encontrados em livros, postais, e por vezes retiradas de vídeos ou fotografias. A obra Remake de “Discovery of America” por Johann Moritz Rugendas (2024) constitui uma reinterpretação de uma obra oitocentista do pintor alemão Johann Moritz Rugendas, cuja composição original representa um encontro entre colonizadores europeus e povos indígenas numa paisagem tropical com palmeiras, junto ao mar. Eugénia Mussa opera uma transformação cromática total, substituindo a paleta naturalista original por uma quase monocromia vermelha que redefine completamente a leitura da composição. Embora a vegetação tropical e as figuras humanas se mantenham reconhecíveis na estrutura compositiva, o predomínio absoluto do vermelho, ausente da obra de Johann Moritz Rugendas, sugere as representações visuais do inferno. Esta alteração cromática converte, assim, a representação original numa atmosfera opressiva, conferindo-lhe uma dimensão simbólica renovada através desta saturação cromática. [CAAC 2025]