Filipa César é uma artista visual e cineasta portuguesa, residente em Berlim. Estudou pintura nas Faculdades de Belas-Artes do Porto e de Lisboa, seguiu-se estágio em Munique e, em 2008, concluiu o mestrado em Art in Context na Universität der Künste (UDK), Berlim. A sua prática artística cruza cinema, instalação, investigação e arquivo. Filipa César dedica-se à exploração das fronteiras entre documentário e ficção, questionando não só os modos como imagens em movimento são produzidas e preservadas, mas também os regimes de visibilidade, memória, poder e resistência. Desde 2011, tem vindo a desenvolver o projeto Luta ca caba inda (“a luta ainda não acabou”), através do qual investiga o cinema militante da Guiné‐Bissau, a sua história, arquivos audiovisuais, memória política e imaginário. A sua filmografia inclui obras como Mined Soil (2015), Spell Reel (2017), SUNSTONE (2018), entre outras. As suas instalações e exposições têm sido mostradas em espaços de referência em Portugal e no estrangeiro, festivais internacionais de cinema, museus e bienais.
SUNSTONE (2018), em parceria com Louis Henderson, é uma obra que revisita e entrelaça narrativas visuais, memória colonial, tecnologia ótica e modos de ver. No filme, acompanhamos o percurso das lentes Fresnel desde a sua produção até à sua utilização em faróis, assim como referências ao seu papel simbólico e material em diferentes contextos sociais – desde a ótica da navegação marítima até às políticas visuais, inclusive no uso da Arte Óptica (Op Art) em cenas de revolução. A obra mistura imagens de arquivo, filmagens subaquáticas, Computer Generated Images (CGI) e capturas digitais, explorando os modos de visibilidade e invisibilidade, o poder da ótica como instrumento de domínio visual e a tensão entre luz e sombra, exposição e ocultamento. SUNSTONE destaca-se pelo uso inovador de suportes (arquivo, digital, ótica, 16mm, etc.), combinando estética, investigação e crítica. É uma obra que não só dialoga com a história do cinema e do arquivo, mas também com debates contemporâneos sobre memória, colonização, visibilidade e poder. Esta obra afirma-se como espaço de reflexão crítica e contemporânea, demonstrando densidade teórica e urgência política. A obra toca em temas centrais para a memória portuguesa (colonialismo, navegação, história marítima), bem como nas ligações com África, em particular a Guiné-Bissau, representando a importância destas histórias, dos arquivos e de práticas artísticas que interrogam legados muitas vezes silenciados ou marginalizados. [CAAC 2025]