Francisco Trêpa trabalha com escultura, adotando processos inerentes à cerâmica, como a modelação e a serialidade. Procurando situações que, apesar da repetição, louvam a imperfeição, o imprevisto e a singularidade, a sua ideia de beleza reside num olhar que nomeia e descobre. Decorrendo de um interesse por relações simbióticas e pelo seu papel na articulação de um pensamento ecológico e existencial, Trêpa engendra ficções habitadas por seres híbridos, entre o real e o imaginário, o animal e o vegetal, sem género, nem julgamento fixo. Na busca de uma ambiguidade deliberada, as suas obras comportam ideias de transformação, fluidez e indefinição, que em Enxame (2024) compreendem o imaginário aludido, afirmado na natureza, escala, materialidade e posição dos elementos. De modo notório, a presente obra é representativa do trabalho que o artista tem vindo a desenvolver na sua prática. [CAAC 2025]