Isabel Cordovil tem desenvolvido, nas suas últimas produções, um trabalho fundamentado na iconologia e na história clássica, ao explorar mitologias e figuras fantásticas que se refletem tanto nos objetos que fabrica, como na forma como os compõe nas suas exposições. Estas seguem, habitualmente, uma narrativa que unifica todas as peças apresentadas, sendo comum a artista criar uma obra central que representa toda a história. Com uma carreira ainda emergente, mas já prolífica, a sua prática combina experiências autobiográficas com uma crítica subtil a acontecimentos socioculturais contemporâneos. A obra The enigma of arrival (2025) surge como peça de clímax, marcada por um elemento dramático: a imagem de umas escadas em madeira que guardam, no topo, uma caixa de música manual. A composição, escrita por Joana Benedita de Faria Pinho, exige do público uma atenção delicada enquanto é convidado a acionar a manivela. O contraste entre a escala da peça e a estrutura que a sustenta, aliado à simbologia de cada material escolhido e à provocação anacrónica de momentos e figuras históricas, é representativo do universo estético e conceptual da artista. [CAAC 2025]