A prática artística de João Marçal desenvolve-se numa articulação entre a experimentação pictórica e apropriação crítica das linguagens visuais. As suas telas exploram cores saturadas, tipografias e composições geométricas que remetem tanto para o universo da publicidade, como para a abstração modernista. Esta tensão entre arte e comunicação visual confere ao seu trabalho uma dimensão crítica, questionando os modos como a imagem circula, se consome e se reconfigura no espaço contemporâneo. Em Sem título (Image Service) pode observar-se uma apropriação de padrões gráficos inspirados em suportes comerciais do universo da fotografia, num gesto pictórico que não se limita à reprodução, mas que desloca a linguagem gráfica para a superfície da tela e, assim, interroga a permeabilidade entre a singularidade da pintura e a repetição massificada da imagem. [CAAC 2025]