Maria Appleton explora um olhar háptico (visual e táctil) que navega a permeabilidade entre a opacidade e a transparência, a linha e a mancha, a cor e o seu esbatimento. Trabalhando entre a superfície e o espaço que se instaura para lá desta, no cruzamento de uma lógica pictórica, escultórica e instalativa, as suas obras assentam na gestão de um tempo lento. Entre a manualidade da colagem, que incorpora fotografias, impressões de jornal e outros elementos de memória, da tecelagem e da construção estrutural do suporte, a atenção gravita em torno de uma trama heterogénea que se faz e desfaz, gerindo a firmeza e a elasticidade da perceção Senses of Existence (Installation) (2025) gere um palimpsesto de cores, texturas e padrões que ora se exprime na superfície plana, ora se descobrem no encadeamento espacial que a sua desdobragem estabelece. O olhar vagueia entre o que contempla e o que o engole, decantando o limite entre interior e exterior, entre o que é palpável e o que já não é mais tangível. [CAAC 2025]