A obra de Mariana Vilanova inscreve-se numa prática artística que cruza fotografia, vídeo e instalação multimédia, explorando de forma crítica as relações entre humanidade, tecnologia e ecologia. O seu trabalho, enraizado no diálogo entre arte, ciência e antropologia, interroga a forma como o avanço tecnológico molda tanto a perceção do mundo como a construção da memória coletiva. A artista desenvolve composições visuais que interrogam os limites entre natureza e artifício, entre documento e simulação, interessando-se pelo papel da tecnologia na modelação da memória, concebida não como arquivo estável, mas como um campo em permanente mutação, atravessado por bases de dados digitais, sistemas de monitorização da paisagem e dispositivos de observação tecnológica. Na instalação Análise de um Paraíso Fugaz (2023), desenvolvida em colaboração com Marcelo Reis durante uma residência no INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia em Braga, a artista parte de imagens obtidas por microscopia eletrónica e ótica para refletir sobre a promessa de salvação atribuída à tecnologia. A tradução de microimagens de perovskita – um mineral descoberto em 1839 nos Montes Urais, cuja estrutura cristalina tem vindo a ser aplicada no desenvolvimento de células solares pela sua eficiência na absorção da luz – em som e imagem dá origem a uma experiência imersiva sobre as qualidades de efabulação da observação e do método científico. A encenação circular das imagens sugere um processo contínuo de hipótese e verificação, em contraponto à ilusão de soluções definitivas. Nesse gesto, a artista convoca a ambiguidade entre a confiança contemporânea no progresso tecnológico e a consciência da sua falibilidade, revelando simultaneamente as suas potencialidades e limites. [CAAC 2025]