Paula Rego realiza Homenagem a Dubuffet, em 1985, marcando o ano do falecimento do artista francês Jean Dubuffet (1901-1985), num tributo a este defensor da arte bruta que abandonou as noções tradicionais de beleza, no sentido da valorização do instinto e do estado de pureza das criações infantis, até da própria loucura como fuga aos domínios da análise e da razão. Atravessada pelo signo da multiplicidade e da metamorfose, esta obra oferece-nos uma visão multifacetada do mundo que integra a expressão das qualidades expressivas da pintura, do uso de cores fortes e vibrantes. Emergindo dela a celebração da memória de Dubuffet, esta pintura funciona como um campo composicional onde se jogam experiências de infância, com a presença de uma realidade carnavalesca com artistas de circo, animais e até contorcionistas que emanam um sentido de euforia. A dimensão da festa e do excesso, patente na densidade expressiva das cores e das formas, atinge a proporção anatómica das figuras e a ordem normalizada das hierarquias comuns. [Sandra Vieira Jürgens]