artista
Joaquim Rodrigo
biografia
Lisboa, Portugal, 1912 – 1997
título
Paris - Orio, 1975
obra
Paris - Orio
inventário
SC 474
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado (em depósito na Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1990)
categoria
Pintura
técnica
Tinta acrílica sobre aglomerado
dimensões
98,5 x 147,5 cm
descrição

Vindo de uma pintura geometrizada e concreta, Joaquim Rodrigo passa a desenvolver, desde 1959, no momento em que renuncia ao essencialismo e à rigidez neoplasticista, uma nova figuração com motivos geométricos e linhas orgânicas em composições de fundos cor de terra, inspiradas nas expressões plásticas dos povos da região da Lunda, no norte de Angola, ou dos aborígenes australianos. Joaquim Rodrigo, como muitos artistas contemporâneos, cruza as referências da abstração europeia com as culturas antigas não ocidentais, incorporando elementos das artes pré-colombiana, egípcia, chinesa, africana, aborígene australiana e amazónica. No caso da arte africana, a apropriação de referências é realizada não de uma forma generalista, mas a partir de uma comunidade específica: a dos tshokwe da Lunda Norte, região do Nordeste de Angola, a província dos diamantes, cuja pintura contemporânea foi estudada e apresentada por José Redinha, Conservador do Museu do Dundo, na publicação Paredes Pintadas da Lunda (Lisboa: Companhia de Diamantes de Angola. Serviços Culturais, 1953). Sem ter viajado ao lugar, Joaquim Rodrigo baseia-se nestas pinturas executadas nas paredes de argila das casas – sinais, figuras, letras, palavras, com recurso a um leque de cores composto por vermelhos, pretos, brancos, ocres, castanhos, amarelos e cinzentos numa superfície monocromática – para transpor, para a tela, expressões artísticas que eram realizadas na comunidade e tinham um carácter popular e efémero. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições coletivas
2023: DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu do Côa e Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Foz Côa, Portugal
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal

Bibliografia
Sara & André, Manuel João Vieira, «Sentimento Safari» in DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2023, cit. p. 18, rep. pp. 38-39, 42, 68.