Matt Mullican expressa uma visão particular do mundo na sua produção artística que se encontra marcada por uma vasta série de trabalhos que abrangem um domínio diversificado de materiais e meios, tais como o desenho, a escultura, a performace, a pintura e o uso de uma linguagem estética baseada na associação de signos, símbolos e pictogramas. Não fazendo distinção entre as esferas da realidade e da ficção, entre os mundos físico e interpretativo, o seu trabalho constitui sem dúvida um testemunho claro do papel central concedido ao filtro da experiência e ao legado da memória e da história individual de cada um. Pois como muitas vezes revela, aquilo que está a ver é uma construção da sua memória e, até certo ponto, o universo imaginário é aquilo que vemos. Usando cores, a sua paleta restrita correponde muito concretamente às cinco divisões do seu universo: na zona inferior está o verde associado ao mundo da natureza (Mundo elementar); o azul designa os objectos mundanos (Mundo sem moldura); o amarelo, presente em Sem título (2003), surge associado ao mundo da arte (Mundo emoldurado); já o preto e o branco representam o mundo espiritual (Linguagens e sinais); e no topo está o vermelho, que simboliza o sujeito. Assim, mediante esta paleta e as formas gráficas de natureza impessoal que usa, o artista norte-americano tem procurado dar legibilidade simbólica e espacial a uma visão de mundo que oferece perspectivas de entendimento sobre a cadeia de pensamentos, ideias e reflexões metafísicas e antropológicas que enformam a sua cosmologia pessoal. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 7, rep. p. 19, 20, 26, 40-41.