Esta obra permite-nos assinalar uma prática de trabalho que é característica da obra de João Pedro Vale, onde evoca o conceito de identidade, combinando e relacionando uma ampla rede de referências que abrangem o plano da história pessoal, mas sobretudo da história coletiva, política e cultural de Portugal. Evocando, no seu universo, associações metafóricas precisas mediante a atenção dada aos materiais, a sinais formais particulares e à enunciação de certas referências textuais, na sua obra produz descontextualizações que afetam o sentido original dos grandes assuntos históricos retratados. Nas obras plásticas, revisita episódios da história portuguesa, os seus eventos áureos, a dimensão colonial da história nacional (desde os Descobrimentos, à batalha de Toro, passando pela batalha de Alcácer-Quibir), refletindo sobre o modo como a ideologia republicana e o regime do Estado Novo se apropriaram destes grandes acontecimentos. É o caso da peça Cruz (2006), em que apresenta uma escultura em forma de âncora, revestida a caricas da água Luso, onde se testemunha a alusão irónica à construção ficcional de uma identidade nacional e o interesse em explorar de maneira sugestiva a ideia de monumento histórico. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal