artista
José de Guimarães
biografia
Guimarães, Portugal, 1939
título
Chac Mool – Série México, 1995
obra
Chac Mool – Série México
inventário
SC 1524
proprietário
Coleção de Arte Contemporânea do Estado (em depósito no Centro de Arte Contemporânea de Coimbra, CM Coimbra)
categoria
Pintura
técnica
Técnica mista sobre tela
dimensões
73 x 100 cm
descrição

Nascido em Guimarães, em 1939, a experiência visual e de vida de José de Guimarães está intrinsecamente associada às viagens que foi realizando: primeiro para Lisboa, onde cursa engenharia e descobre a gravura artística e a pintura; depois para Angola – a segunda viagem -, onde está entre 1967 e 1974, mobilizado em duas comissões de serviço do exército português no contexto da guerra colonial (de 1967 a 1969 e posteriormente de 1970 a 1974). Nesse período, o seu trabalho sofre uma transformação profunda e essa viagem e o contacto com a arte africana, mudaria a sua vida artística.  Realiza duas exposições no Museu de Luanda, em 1968 e 1972 e o interesse pela singularidade da cultura africana leva-o a visitar a região da Lunda e a cultura tshokwe com os etnólogos Mesquitela Lima e José Redinha. Também visitou a região de Cabinda, no norte de Angola, sempre movido por um profundo interesse pela cultura de diversas comunidades nativas. Posteriormente, viajou para o México – à qual se refere como a terceira viagem – onde se interessa pelas culturas Maia e Asteca; a América Latina e Ásia (China e Japão). O interesse por diferentes culturas remete-nos, assim, para a sensibilidade eclética e uma arte miscigenada de José de Guimarães, que cruza também o universo pop, ocidental, pelo uso que faz das suas estratégias, meios e iconografia, com outras referências e conhecimento de culturas muito distintas proporcionadas pelas suas viagens. Assim, no seu corpo de trabalho, podemos observar a descoberta de arquétipos destas culturas que o levaram à construção de alfabetos de diversa inspiração, como o africano, o mexicano, o chinês. Mas também o camoniano ou rubensiano, relativos ao universo literário e artístico de autores europeus. Datada de 1995, esta obra, integra um núcleo de trabalhos de inspiração mexicana, cujo título faz referência ao legado arqueológico da cultura maia, da região do Yucatán, nomeadamente a esculturas de pedra pré-colombianas e, cuja composição de fragmentos do corpo humano em silhueta, cabeças, com língua afiada, integra elementos associados às «calaveras» mexicanas, ícones da evocação dos mortos. [Sandra Vieira Jürgens]

 

Exposições coletivas
2025: PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, Portugal