Com um percurso assinalável, Fernanda Fragateiro tem realizado um corpo de trabalho em diálogo incessante com a história da arte e da arquitetura, as suas representações modernas e a sua desconstrução. Tem percorrido um caminho autoral a partir não só da homenagem e da referência, mas também de indagação crítica relativamente ao legado minimalista. Do ponto de vista formal e conceptual, as intervenções espaciais e escultóricas de Fernanda Fragateiro podem ser definidas pelo regime de site-specificity, por resultarem da aproximação estabelecida com os espaços arquitetónicos que referencia ou em que intervém, muitos deles inusitados ou com marcas identitárias fortes. A peça Unbuilt, after Casas na Herdade do Mercador, Mourão, 2009-2011, atelier Ventura Trindade, Portugal (2016) constitui, a vários níveis, uma obra característica da abordagem singular da artista. Trata-se de uma peça escultórica realizada em aglomerado de madeira e aço inox, cujo aspeto parece resultar da combinação de referências aos domínios da arquitetura e da arte minimal. Do ponto de vista formal, assemelha-se a maquetas arquitetónicas e a intervenções de escultura minimalista e, nela, reconhecemos o interesse que a artista concede à economia, essencialidade e simplicidade das formas, num trabalho escultórico que indaga a tensão existente entre o domínio da estética e o universo da funcionalidade prática, o valor utilitário e funcional dos objetos. [CAAC 2020]
Exposições coletivas
2023: Una Casa, Teatro del Mundo: Obras de la Colección de Arte Contemporáneo del Estado Portugués, Residência Oficial do Embaixador de Portugal em Espanha, Madrid, Espanha