Pedro Cabral Santo, artista afirmado na década de 1990, especializou-se num campo abrangente de áreas artísticas, que vão da instalação à vídeo-instalação, contando com uma ampla atividade curatorial. O seu trabalho incide, maioritariamente, sobre a forma como os objetos de consumo se incorporam na nossa identidade. Os temas passam pela interrogação do lugar da arte na sociedade, onde proliferam todo o tipo de imagens, como produtos e referências. Ao introduzi-las nesse contexto, as imagens surgem como novas e surpreendentes. Para isso, combina meios técnicos e soluções heteróclitas com um sentido experimental que comunica com as práticas recentes da arte (dos anos de 1960 à atualidade). Assiste, ainda, ao seu trabalho, uma qualidade plástica que não se separa da qualidade emocional que vai desde a terna ironia ao humor e que desencadeia no olhar do público, para além do valor especificamente estético, o choque de uma revelação. Esta obra utiliza um dispositivo surrealista, no sentido Magrittiano, de um objeto e situação impossíveis, neste caso tridimensional, que se impõem pela sua estranha placidez. A enigmática espingarda de pressão de ar é transformada e esticada, ganhando escala e um papel de personagem, como num desenho animado da Looney Tunes. Utiliza também o jogo de palavras conceptual nas combinações de diferentes sentidos da palavra “pressão”: neste caso, sob pressão, supressão, pressão de ar, de pressão. [CAAC 2020]
Exposições individuais
2008: Tilt, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal
2015: Absolutely, VPF Cream Art, Lisboa, Portugal
2018: Endless, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, Portugal
Exposições coletivas
2012: Politically Excited, Galeria Trem, Faro, Portugal
2019: Educação Sentimental, Fundação Arpad Szenes –Vieira da Silva, Lisboa, Portugal
2024: MICROPOLÍTICAS: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Arqueologia e Artes de Beja, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «Micropolíticas» in MICROPOLÍTICAS: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Maiadouro, junho de 2024, cit. p. 17, rep. p. 27, 28.