Adriana Molder trabalha de forma consistente desde 2000 com exposições regulares nacionais e internacionais e está representada em diversas coleções privadas e públicas, tendo residido e trabalhado em Berlim durante vários anos. A sua pintura destaca-se por grandes formatos, habitualmente em tinta-da-china sobre papel esquisso, pela exploração do rosto humano a partir de imagens do cinema clássico e do film noir e de imagens recriadas a partir de romances e contos provindos de um imaginário fantástico ou policial. Incide sobre os processos e filtros da memória, quer nas imagens que persistem, descontextualizadas, quer nas ficções e relações oníricas que se elaboram a partir dos fragmentos recordados de um filme ou livro. O papel esquisso e a prevalência do preto e branco acentuam esse papel de filtro de imagens. Acresce que o grande formato neste suporte amarrotado e o uso da tinta-da-china contrariam a perenidade e monumentalidade da linguagem da pintura, tornando-a volátil, em analogia com a memória. Esta obra da Coleção de Arte Contemporânea do Estado é representativa deste trabalho, um rosto sombrio da série ficcionada O Intérprete de Sonhos. [Mariana Pinto dos Santos]