Enquadrando-se no “campo expandido” da escultura — ou, mais concretamente, da produção de objetos — a prática de Ana Santos assenta na procura de um muito particular estado de atenção. Promovendo o recurso à sensibilidade e à intuição como instâncias que permitem sublinhar a unicidade do ato criativo, as suas peças resultam de um processo de reflexão sobre as características formais, funcionais, morfológicas ou cromáticas de determinados materiais ou objectos encontrados e das relações que entre eles possa querer testar ou estabelecer. Interessa-lhe uma prática, muitas vezes reduzida à mínima ação possível, na qual os valores tradicionais da escultura enquanto disciplina, são frequentemente questionados por meio da afirmação de uma ideia de precariedade, de estranheza, de não pertença, de leveza ou de fragilidade. As obras de Ana Santos ganham especial interesse e relevo na sua condição de apresentação, muito devido às relações dialógicas sugeridas por uma cuidada e precisa disposição no espaço expositivo, mas também pela capacidade de imanência que parecem encerrar e que as aproxima, em muitas circunstâncias (e apesar da sua fragilidade), de um plano de transcendência. A artista foi distinguida, em 2013, com o Prémio Novos Artistas Fundação EDP. [Ana Anacleto]
Exposições individuais
2019: Ana Santos. Anátema, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p 16, rep. p. 23, 65.