André Sousa vive e trabalha entre o Porto e Frankfurt e tem, desde cedo, vindo a acumular a sua atividade artística com a de fundador e programador de espaços independentes de apresentação e divulgação da arte contemporânea, normalmente em diálogo e estreita colaboração com outros colegas da sua geração (casos do PêssegoPráSemana, do Mad Woman in the Attic ou do Uma Certa Falta de Coerência, todos no Porto). A sua prática artística, caracterizada por um interesse pela noção de valor e pelas dinâmicas estabelecidas entre os contextos da arte e da economia, desenvolve-se maioritariamente em torno da produção de instalações e pinturas de dupla face, com a assumpção de uma estética contrastante assente no uso de materiais e técnicas variadas e no recurso a opções distintas de representação. Os seus contextos de referência assumem ampla diversidade, desde elementos de arquitetura vernacular a objetos do quotidiano, de paisagens a bens alimentares, de referências literárias ou cinematográficas a registos biográficos, passando pela apropriação de elementos e códigos de linguagem com as mais diversas origens. A obra al-Gaddafi / Peanut-man assume essa condição dupla, convida a uma observação em torno (quase como se de uma escultura se tratasse) e a sua complexidade formal resulta de uma contínua exploração livre da pintura que o artista tem vindo a desenvolver, aliada a uma consciência da sua história e dos códigos de expressão mais primitivos. [Ana Anacleto]
Exposições coletivas
2023: NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, Portugal
Bibliografia
Fernando J. Ribeiro, «ALIEN DREAMS» in NON FINITO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, julho de 2023, cit. p. 14, rep. p. 45, 100.