A obra Ashlesha (2018) de Francisca Carvalho reúne referências expressivas da astrologia hindu e da mitologia grega, nomeadamente a Hidra, um corpo complexo com várias cabeças de serpente que surge representado com formas curvilíneas pintadas com pigmentos naturais (vegetais e minerais). Seguindo a confeção artesanal dos painéis de Kalamkari, pinturas milenares indianas feitas em pintura e impressão em tecido com cores terrosas, que representavam os episódios da mitologia tradicional do país, a artista procura um equilíbrio entre as formas de representação do objeto, especificamente a organicidade das formas curvilíneas e o suporte usado, uma lona não engradada, onde a fluidez e a leveza se destacam. Originariamente de cunho religioso, a sua presença manifesta-se aqui com um outro desígnio, convocando um diálogo oblíquo, a revelação de um imaginário que flutua entre as coisas concretas do mundo e uma sensorialidade dos gestos e dos corpos que se afirma pelas imagens. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2023: DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu do Côa e Centro Cultural de Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Foz Côa, Portugal
Bibliografia
Sara & André, Manuel João Vieira, «Sentimento Safari» in DARK SAFARI: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, 2023, cit. p. 18, rep. p. 39, 42-43, 76-77.