É ainda enquanto estudante, no final dos anos 1990, que Francisco Queirós começa a expor individual e colectivamente, dando início a um percurso de investigação que tem vindo a desenvolver sobretudo no seio da prática do vídeo, mas pontuado também pelo recurso ao desenho, à colagem, à escultura e à instalação. Nas primeiras apresentações do seu trabalho, revelava já uma enorme apetência pela desconstrução dos mecanismos de expectativa, próprios do universo do cinema – e, em especial, do cinema de animação –, demonstrando também um particular interesse pelas temáticas do corpo e da abjecção, da representação deste e da sua manipulação (mais ou menos) violenta. A obra I Spit on You, Corpse! & I Piss in My Inner Eye & Rocks in My Pillow aponta, desde logo, para um enunciado deste tipo. O vídeo de animação digital, produzido a partir de desenhos pré-existentes e de referentes visuais propositadamente reunidos para este fim, sequencia um conjunto de acontecimentos, convocando as particularidades formais e processuais do imaginário infantil, evitando os filtros politicamente correctos e tratando o tema, à semelhança do que é habitual no seu trabalho, com a crueza própria da infância. [Ana Anacleto]