Gabriela Albergaria é uma artista portuguesa radicada em Nova Iorque desde 2011. A artista trabalha a partir da recolha de elementos de uma paisagem, folhas, frutos, sementes, pedaços de casca de árvores, ramos, etc., transmutando-os e comentando-os em desenho, assemblage, fotografia, instalação ou escultura. O seu trabalho elabora uma pesquisa visual sobre os limites da natureza, consciente de que a paisagem e a ideia do “natural” são construções, e que a natureza é definida sempre por relação ao humano e ao controlo que este exerce sobre ela, e por isso não constitui uma esfera autónoma senão na ficção que dela se faz. É uma natureza cultural, que se transforma pela acção humana — ao desenhar jardins, ou ao levar sementes e cultivos para diferentes partes do mundo, e nas práticas extractivistas. O seu trabalho incide sobre essa continuidade entre o que se pensa separado: entre o “natural” e o artificial, entre a paisagem e o desenho da paisagem. Por isso, comenta e contraria a ideia clássica de que a arte imita ou representa a natureza, para a afirmar enquanto natureza e vice-versa, a natureza enquanto arte. A obra Storm Burned Coastal Redwood é muito representativa do trabalho da artista ao compor, através de vários desenhos combinados, uma floresta de sequoias, que se pode imaginar existir para lá do desenho, como se este apenas registasse, de passagem, alguns fragmentos de algo maior. No entanto, pode antes pensar-se o desenho a continuar infinitamente, sendo ele próprio a floresta. A árvore Redwood, sequoia, é abundante na Califórnia e pode viver milhares de anos. Estas árvores foram devastadas pelos incêndios recentes na costa oeste dos EUA e a impotência da natureza (logo, da arte) perante essas forças de escala planetária tem eco na fragilidade do desenho fragmentado a lápis de cor sobre papel. [Mariana Pinto dos Santos]
Exposições individuais
2022: A Natureza Detesta Linhas Retas, Museu de Tavira / Palácio da Galeria, Tavira, Portugal