As imagens de José Pedro Cortes definem sempre uma instância poética feita de vasos comunicantes e dicotomias tensionais ou dialogantes, que se entrelaçam na consciencialização da substância da imagem, e de onde emerge o resultado da elaboração de um comportamento estético e formal que se constitui não só como esfera de uma visão particular, como ainda enquanto raiz que acende um impulso mágico de captação dos instantes do real que os corpos e os objetos produzem na relação com a câmara fotográfica. Por isso, o conjunto de duas fotografias que integra a Coleção de Arte Contemporânea do Estado revela o extremo cuidado que o artista coloca em cada momento de combinação formal, no rigor da independência de cada uma delas, mas também na abertura às suas combinações possíveis, atenta às significações específicas das cores, às ínfimas conexões, quase impercetíveis, das pequenas perceções. [David Santos]
Exposições individuais
2018: Um realismo necessário, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado – MNAC, Lisboa, Portugal