Paulo Brighenti expõe regularmente desde a década de 1990, dedicando sobretudo a sua atenção à prática do desenho e da pintura. As suas obras assentam na combinação de motivos de sugestão abstrata com formas reconhecíveis que se apresentam ao espectador como que diluídas, no limiar do reconhecimento. A sua investigação centra-se no domínio das ferramentas pictóricas por excelência, conciliando questões de representação de luz e sombra, cor e preto e branco, e apostando muitas vezes nas variações de escala (entre o muito pequeno, sobre papel, tela ou outros objectos, e a grande intervenção mural). Através do trabalho com base numa ideia de oposição e antagonismo, Brighenti assume um particular interesse por uma noção de equilíbrio resultante do jogo composicional entre conceitos opostos: noite e dia, sono e vigília. Morte e vida são, em última instância, os grandes temas evocados na sua pintura e que surgem amiúde, inteligentemente tratados pelo artista nas várias aproximações subtemáticas que vai explorando nas suas séries de trabalhos. Esta obra da série Uma estátua roída pelo mar surge justamente no âmbito destas suas investigações e aproxima fortemente o espectador do universo visual do autor, por intermédio do que intuímos serem representações conseguidas com recurso a processos de sobreposição, acumulação e densidade matérica e cromática. [Ana Anacleto]
Exposições individuais
2019: Todos os deuses, Museu Nogueira da Silva, Braga, Portugal
2019: Noite de Pedra, Galeria Baginski, Lisboa, Portugal
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 14, rep. 91.