A observação da natureza e o papel da experiência na vivência e representação plástica do contexto natural envolvente são questões fundamentais na prática artística de Ana Marchand. As suas primeiras exposições ocorreram na segunda metade da década de 1970 e, desde então, desenhou uma trajetória que se definiu pela exploração plástica de materiais e suportes e pelo contacto com culturas e formas de pensamento muito orientadas para a espiritualidade. A partir da década de 1990, a sua obra artística fica fortemente associada às muitas viagens que empreende, detendo-se longos períodos em destinos como a Índia, o Vietname e o Sul da China. Trabalha e expõe na Índia e esta ligação está, desde logo, muito presente, seja nos materiais ou nas referências e títulos das suas obras. Esta série de desenhos exemplifica essa influência. Intitulada Aurobindo, nela, a artista elege o pequeno formato, muito comum no seu corpo de trabalho a par dos apontamentos e cadernos de viagens, e apresenta uma construção figurativa, onde o naturalismo se padroniza e transfigura pela densidade do registo. Optando pela simplicidade na sua abordagem aos temas, nesta série, Marchand homenageia a cultura e a espiritualidade como dimensão essencial da vida e da sua prática artística, referenciando Sri Aurobindo (Calcutá, 1872-1950), filósofo e poeta indiano que desenvolveu um método de prática espiritual chamado Yoga Integral. [CAAC 2022]