Bruno Cidra tem desenvolvido uma prática afirmativamente localizada naquilo a que comummente chamamos o “campo expandido” da escultura ou, mais particularmente, numa elegante e sofisticada articulação entre os limites da escultura e os limites do desenho. Fazendo geralmente uso do metal (bronze, ferro, cobre, latão, etc.) e do papel, os seus objetos exploram os pontos de contacto entre estes limites, articulando-se num equilíbrio de tensões, gerando diálogos e conexões físicas e temperamentais entre si e entre si e o espaço que os acolhe. Questões próprias de ambas as disciplinas são trazidas para o contexto das suas obras: peso e leveza, cheio e vazio, permanência e impermanência, resistência e fragilidade, estatismo e dinâmica, durabilidade e efemeridade. É nessa medida que as suas exposições se assemelham a composições desenhadas no espaço, composições que resultam da combinação cuidada e demorada de fragmentos (uns adicionados outros suprimidos) e que são simultaneamente vestígio e documento das várias ações e gestos que lhe deram lugar. Untitled #7 constitui-se como um extraordinário exemplo da sua prática. [CAAC 2022]