O trabalho fotográfico de Carlos Lobo insere-se numa corrente documental contemporânea, baseada numa observação metafísica e crítica da realidade. Os trabalhos da série Still There foram realizados no âmbito de uma viagem a Beirute e Trípoli, em 2011, em mais um momento crítico da história do Líbano. Contudo, a observação do fotógrafo destas duas cidades é realizada com a consciência histórica da sua complexidade política, bem como do seu passado e presente trágico na geoestratégia do Médio Oriente. Still There evoca, no título e na natureza das imagens captadas, uma dimensão de resiliência destes lugares face à sua própria história. É um trabalho visual de síntese que se detém na reverberação do que resiste, no simbolismo anacrónico de certos detalhes que, num relance, representam o caos e o seu contrário, sem a evidência documental da destruição e da ruína. Outras séries, realizadas noutros locais, como Japão, Coreia do Norte ou China, seguem o mesmo processo criativo, mas interrogam também a construção cultural e política quando observamos o Outro. O seu trabalho possui uma qualidade documental que é representativa da atual fotografia portuguesa. [CAAC 2022]