Isabel Madureira Andrade tem desenvolvido uma interessante investigação em torno sobretudo da prática da pintura, com especial relevo para uma tentativa de questionamento acerca da sua condição representacional. Herdeira de uma tradição próxima da abstração e das suas várias declinações, tem desenvolvido uma pintura que assenta numa base geométrica (onde o desenho desempenha um importante papel) e que requer do observador um tempo particularmente demorado para a observação. Através do recurso à grelha e à repetição de padrões ou motivos geométricos, constrói imagens ilusórias, falsas, que desafiam a perceção. A aparência, o aspeto visual, o efeito ótico e háptico que têm sobre o espectador revelam-se na sua própria condição de ilusão: as simetrias são incompletas, as grelhas assentam afinal em cruzamentos de linhas diagonais ou elípticas, os côncavos e convexos são afinal resultado da sobreposição de sucessivos planos cromáticos. Esta obra constitui um excelente exemplo da sua prática. [CAAC 2022]