João Ferro Martins tem vindo a desenvolver uma obra multidisciplinar com maior enfoque na escultura, performance e música. Composição Conjugal consiste na justaposição de diversos materiais em estado bruto, ostentando a aparência geral de um piano. Disfuncional, o “instrumento” é votado a um mutismo e isolamento indeléveis, provocados por um conjunto de procedimentos: a sua caixa é ocupada por um colchão, as teclas são convertidas em copos virados ao contrário e o pedal adquire a forma de uma ratoeira. A ênfase na manufatura e na nudez da composição denota um gesto iconoclasta, incidindo sobre um instrumento musical que representa a epítome de uma cultura assente na sublimação, a qual é suposta ocultar quaisquer indícios de matéria corpórea, de desejo e de espírito comunitário. Esta obra foi apresentada na Exposição de Finalistas Prémio Novos Artistas da Fundação EDP, em 2013. [CAAC 2022]