O percurso artístico de Manuela Marques tem sido realizado em França, onde reside. É assinalável a singularidade da sua obra, no contexto da fotografia portuguesa, assumindo um evidente pendor plástico da imagem fotográfica, mas redefinindo também o lastro histórico da ambivalência fotográfica entre técnica e estética. O seu trabalho tem-se centrado, nas duas últimas décadas, na esfera geológica e telúrica da natureza, e nas propriedades materiais que partilham com a imagem fotográfica. A obra Sísmico faz parte de um corpo de trabalho desenvolvido no arquipélago dos Açores que se debruça sobre a natureza científica da formação da terra, ao mesmo tempo que enuncia a qualidade metafísica da sua abstração. Os seus trabalhos, no qual este se inclui, são realizados através de processos longos de observação, perceção e conhecimento, com uma metodologia de revelação comum ao processo fotográfico, mas também às ciências do conhecimento da terra. Esta obra representa, portanto, um momento particularmente importante do trabalho da artista. [CAAC 2022]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, outubro de 2024, cit. p. 9, rep. p. 18, 25, 28, 31, 33, 57.