Nástio Mosquito realizou a sua formação artística e académica em Portugal e desenvolveu uma carreira enquanto músico, performer e artista plástico. Em Frozen War, Nástio apresenta-se como conferencista que recorre, de modo exagerado e ridículo, à língua franca da audiência, colonizadora. Multiplicando-se enquanto sombras projetadas, a personagem é circunscrita às três faixas de uma bandeira que ondula ao sabor do dispositivo cinemático. Enunciando as estratégias de uma perpétua guerra fria, Nástio, o africano, começa pela descrição da crueldade das intenções do invasor, para passar gradualmente a enunciar os tormentos com que o agressor se confronta, quer perante as reações do Outro, quer perante as falácias de um sistema tecnocrático que aniquila, igualmente, os seus próprios cidadãos por via da alienação num “entertain yourself,” como frisa Nástio no encerramento do seu discurso. [CAAC 2022]